quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Ave Negra


Cheio duma implacável fome
Um urubu pousou no seio
Da minha sorte que há muito
Estirada, pálida e falecida  jaz
Dela, alimentou-se 

( Sousa Neto )

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Luz do Breu


 Ah! Se o sol
Lâmpada do dia fosse
Subiria eu num banco
E do bocal céu a desenraizaria
Vestindo de  noite
O dia

A fim de ouvir  da escuridão
O seu entoar  fúnebre, confortador
Que nesse instante
Meu ser a vagar,
Debulhando - se em dor,
Roga

( Eu, Sousa Neto )

quinta-feira, 21 de maio de 2015

DE SUPETÃO

Subitamente infiltrou-se porta adentro no meu lar, você. Na minha vida, entrastes a fim de fazer lacrimejar os olhos meus, sofrer e, de me furtar a paz a cada um minuto. Causando congestionamento nos aspectos do meu transitar, tu, atrasou minhas atividades cotidianas, me sugou as energias, e me aplicou uma dosagem de dor física com suas agressões, resultando em abalos sísmicos no meu ser.  Nas suas crises de raiva, ou de ciúmes talvez, o meu nariz tornou-se o alvo do seu esmurrar, o que veio dá forma a um espirrar, um arder,  fazendo-o também escorrer.  Quando ainda consumida pela ira, me sufoca a garganta, e constrói com isso o tossir, despertando em mim o afã por um vomitar. Queria eu saber onde estava com a cabeça no momento em que dei-te a chance, sem perceber, de introduzir-se no meu caminho, pois vantagens e beleza alguma tu tem. Embora todo esse meu penar, a única coisa que vomito nos teus pés, são pedidos perfumados, palavras suplicantes rogando para ir-te embora, para que eu possa retomar minha rotina sem ter que me preocupar com você, gripe, que no meu corpo viestes à passear.


( Sousa Neto. 21.05.2015 )

domingo, 22 de março de 2015

Rosas de Inverno


As rosas que aparecem
No  inverno
De nada servem
Emanam  perfume algum
Incolores e inodoras são
Sem valor
Desbrocham no jardim
Apenas à enfeitá-lo. 

( Sousa Neto )
( Imagem: Rosas de Março. Sousa Neto)