domingo, 23 de julho de 2017

Lambedura


É fogo faminto
a desflorestar o corpo meu.
Me partindo em pedaços esparsos
sobre o colchão,
é lâmina afiada a me fatiar

É forte chuva
banhando o seco chão
do meu sertão...
É idioma que só a língua tua
sabe falar
Quando tu vem lambente
lambuzar-me, lambear 

- Sousa Neto - 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Cor De Carmim



25/04/2017
(Para minha tia Maria da Salete)

Na calmaria e balanço
das marés da vida
ela me foi, é e será
farol luzente no alto mar
Alumia-me veredas

Ai, ai de mim!
Se a ternura dela
cor de carmim
não houvesse

Do  ventre seu
não parti,
porém do coração teu
nasci.

Imã do meu progenitor,
Pessoa vasta e sofrida,
Quem me criou
Vestida de tia e mãe
Na vida minha atua, atuou


No fundo do âmago meu
uma incomensurável gratulação
por esse colossal amor,
que  me apareceu

E nesses versos
demais singelos
eternizo-te, também lhe considero:
mãe e tia. 

(Sousa Neto)

Lágrimas


No rosto a riscar
São dois rios rumo ao sul
Deslizando...
São pedras de sal,
Sobre as facetas rolando

O silencioso grito da dor,
A tristeza com magnificência
Se exibindo...
Mas também é a felicidade
Um sorriso encharcado
imprimindo

(Sousa Neto)
(Imagem: Sousa Neto) 

Tarde Vermelha


Não sei se o beijo
mata ou pare o desejo,
mas sei que na tarde de hoje
você me deu esse ensejo
e fui gaivota
no céu dos teus beijos

(Sousa Neto. 22-01-17)

Marés



Ontem afoguei – me
em teus beijos
Hoje, num oceano
profundo
de saudades suas

(Sousa Neto)

Sobre Mar




Sou um barco, à deriva
em mar sombrio e revolto...
Ondas me arremessam
- para cima, para baixo-,
contra rochas e cais,
mas não me desassossego

Porém, nesse embalo
tempestuoso da vida,
tento, mesmo perdendo-me,
achar-me de novo...
Contudo, o que acabo
encontrando
é somente a glória de chorar

(Sousa Neto)

Deserto da Alma


Deixara-me.
Agora é tempo
de desertidão, solidão.
Meu peito, nesse instante,
empanturra-se de vazio,
de dunas a dançar sob
o som dos vendavais,
de rajadas de ventos
e de miragens suas,
apenas.

- Sousa Neto -

Desbotados Retalhos


Pedaços de lembranças
de vividos amores
sobre o chão
de minha mente
espatifados sempre estarão

Não me são mais
tão vívidos e pungentes
esses cacos de recordações.
As cores se perderam...
Mas ressuscita-me ainda,
lúgubres saudades suas

(Sousa Neto)