terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Como Reis Magos






Coberto de Reis Magos
Levamos presentes –
Embrulhados pelo amor, pelo natal..
Àqueles que estão
Acomodados na manjedoura
Do nosso peito.

( Eu, Sousa Neto )

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Poemeto apaixonado




O verão recai sobre o inverno glacial
- Que sempre me habitou...
Os remorsos, esqueço,  e remoço...

Um sorriso – como uma lua minguante e radiosa
é içado no céu do meu rosto
Quando, cortesmente, me cumprimentas.

(Eu, Sousa Neto )

Pelos pulsos




Dores, lágrimas
E (in)dizíveis palavras...
Libertei pelas frestas
Que abri nos pulsos


( Eu, Sousa Neto)

Pássaros




Pousou um  formoso pássaro
- cujo o cantar, embevecia,  hipnotizava...
No galho daquela árvore
E  fez  nos teus dias, cantos e encantos
Quando a estiagem prevalecia

Mas com suas trovoadas  ensurdecedoras
Veio a chuva...
Fazendo-o emigrar, mergulhar  noutro arvoredo.

(Eu, Sousa Neto)

O Vale Das Lágrimas





Sente-se  a tristeza  - transformada numa bruma
Cortar a pele, penetrar as narinas ...
Aquele que vagueia horas a fio
por entre o vale úmido e sombrio..
Das lágrimas. 

( Eu, Sousa Neto )

Negros versos




 Ajoelhado,  rogo...
  Sobre os espinhos de meus maus sentimentos
 Que insistem em aparecer sob o meu pisar,
 Que me assombram noites adentro  
 Roubando, transformando em cacos
  O silêncio das madrugadas
  Por alguém que salve-me
  Do abismo negro  do meu eu.

Eu, Sousa Neto )

Na queda da noite





Quando o sol  -  incansável lâmpada diurna
Se apaga, as lembranças do que vivi ao seu lado
Se ascende,  junta com a noite...
Pintando de claro, o meu pensamento escuro
Revirando minha solidão aniquiladora

( Eu, Sousa Neto )

Meu corpo, um instrumento




Descasco e entrego este instrumento
- revestido de carne e osso
Preso pelo cordão umbilical à alma –
Aos irresistíveis prazeres carnais, mundanos...

Após todo o dedilhar
As forças,  renovo, refaço...
E afino as cordas

Para a próxima que vier tocar.

(Eu, Sousa Neto)

Mensagem Espada






Lancei-me por terra
Moribundo, arfante...
Vendo a alma evanescer
Ao ler aquela mensagem – pontiaguda, afiada
Que  golpeou-me o coração

No centro do meu sinuoso seio
Foi cavado um buraco,
Onde derramei  desilusão, paixão
Quando, veemente encravaram

Veludas palavras: Farto de ti, estou eu!

(Eu, Sousa Neto )

Eu, fugitivo




 Das artimanhas do teu sorriso
- quando aberto no espaço,
 me fazendo em pedaços...
  Das armadilhas dos  olhos seus
  Dos precipícios perigosos
  Que tuas feições possuem

  Eu fujo! Eu fujo! 

( Sousa Neto)

Estação bala




Primavera ela era...
Coloria, perfumava, reluzia os dias.
E com o seu sol, regava
- com o mais belo ouro
Os jardins

Agora, é só uma estação bala
Que trespassa
O âmago do tempo.

(Eu,Sousa Neto)


Dia Cinza




Trajado com um vestido cinza
O dia nublado exibi- se dançando
Entoando  a música da  tempestade
Exala um aroma umedecido
Que ao rasgar nossos orifícios nasais
Desperta  o ser – que inverna nos dias de sol
Lúgubre, ocioso, e revira memórias ...


( Eu, Sousa Neto )

Dezembros




Aí vem dezembro
- balsâmico, nostálgico...
E ladeando no seu caminho:
Árvores natalinas, ornamentadas de saudades
De lembranças, de presentes...

Aí vem dezembro
Consigo, um céu diferente:
Uma abóbada celeste
Estampando estrelas incandescentes
Astros em brasas...

Aí vem dezembro
E já deixa ver:
Ruídos de prosas, doces palavras
Surgindo  das chaminés – feito fumaça
Publicando a  feliz ceia  em  família

É dezembro! É dezembro!
E eu derramo o vinho tinto sobre
A toalha esbranquiçada da mesa,
Lembrando-me você...
Mas, badalam os sinos:

Feliz Nata! Feliz Ano Novo! 

( Eu, Sousa Neto) )